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Oct 182010
 

curadoria de Álvaro Lobato de Faria

director coordenador do MAC-Movimento Arte Contemporânea

em parceria com as Oficinas de Formação de Animação Cultural
da C.M. de Aljustrel

Quem olha as áreas perdidas dos espaços esquecidos, no, figurar das formas e das cores, nos equilíbrios procurados, nas ondas de luz estruturadas entre limites configurados, na experiência lúdica de encontros furtivos entre complementares que se escoam em pinceladas firmes até atingir o fim de si próprias, encontra a pintura de Teresa Mendonça.
Pintora de memórias estruturadas entre atlânticas visualizações paisagísticas e o reticulado urbanos das grandes metrópoles, o intimismo antigo dos espaços musicados onde as melodias se escoam e ecoam em telas de tons surdos onde uma ou outra estridência nos apela para o mundo onde a luz se encontra…

Pintora de memórias estruturadas apela entre atlânticas visualizações paisagísticas e o reticulado urbanos das grandes metrópoles.
Em algumas telas encontramo-nos perante o intimismo dos antigos espaços musicados onde as melodias se escoam e ecoam em planos de tons surdos onde uma ou outra estridência nos chama para o mundo onde a luz se encontra, ou encontramo-nos ainda nas sombras de uma casa, onde o fazer é o passar dos dias na nostalgia precisa de uma infância longínqua

Noutras telas, e, num jogo plástico em que a forma é imposta pela incidência da cor, estaríamos perante a pintura de um eventual ”fauve”, ou, ainda de um suposto “orfista”.
Não há um cinetismo na presença da cor. Há, sim, uma procura de equilíbrio dinâmico e estruturado através de formas intercincundantes, até que o “movimento” se pára por si, em vectores propostos entre a tela e o espectador.
Não há distanciamento na forma, não há distanciamento na cor. Nem “crises de repetitividade”.
O ”ser total” surge do afecto inter cromático que se nos impõe como objecto procurado na sua intencionalidade de fazer parte do nosso universo de prazeres visuais, que encontraríamos fortuitamente num campo aberto de papoilas ou num mar suposto de Iemanjá.
Estamos, assim, perante uma pintura que advém de um contacto permanente, afectivo e efectivo com a plasticidade e a memória das coisas e do mundo. Com o Homem e os seus Fazeres…

Lisboa, 2008
Maria João Franco
Pintora
Directora redactora de Casamarela5b & ARTS (jornal on-line)
in www.movartecontemporanea.blogspt.com

Maria Teresa Castro Soromenho Mendonça, nasceu em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores, em 1948.Pintora autodidacta.Tendo mostrado desde sempre vivo interesse pelas Artes Plásticas,enveredou pela pintura, referenciando-se na obra de Hilário Teixeira Lopes, da qual sofre forte influência, desenvolvendo assim a sua investigação pictórica.

Colaborou com Sílvia Chicó na realização de uma série de programas para a RTP ”Passeio pela Arte” produzido pela produtora Artemis para integração da Criança no universo das Artes.
Desde 1996, tem vindo, a participar em dezenas de exposições no país e no estrangeiro, com incidência nos países lusófonos, nomeadamente no Brasil, Cabo Verde e Guiné Bissau, em colaboração com diversos Municípios, Embaixadas e Entidades, das quais se destacam a Sociedade da Língua Portuguesa, o Centro Cultural da Embaixada de Portugal, na cidade da Praia em Cabo Verde, o Centro Cultural da Embaixada de Portugal na Guiné Bissau , na inauguração da Reitoria do Instituto Politécnico de Lisboa e em várias Câmaras Municipais do Continente e Ilhas .

Em 2007, a convite da C.M.de Ponta Delgada expõe “esta cor de memórias feita” no Centro Cultural de Ponta Delgada em colaboração com o MAC-Movimento Arte Contemporânea.

Expôs em 2009 na Galeria Pepper’s – Caldas da Rainha e na ARC galeria, em Faro.
Participa em 2010 na IV Bienal de Poesia de Silves como artista pástica convidada.
Representada em diversas colecções nacionais e estrangeiras, viu , uma vez mais o seu mérito reconhecido com a atribuição do Prémio MAC – Revelação 2007 Pintura (troféu executado pelo prof. esc. João Duarte ) pelo conjunto de obras apresentadas por aquela galeria ao longo do ano de 2007.
Vive e trabalha na Herdade da Aroeira.

Pintura de Teresa Mendonça por Margarida Neves Pereira in Açoreano Oriental

  • A Arte é sempre a penetração da nova realidade, a retirada das cortinas do mundo visual e a reflexão do espaço misterioso. Não há Arte sem mistério.
    Mas Teresa Mendonça não está de forma alguma ocupada com um estudo da natureza e muito menos tenta dar uma impressão óptica de uma paisagem concreta.
    “Absorver-me no espaço natural” diz a artista, “ajuda-me a encontrar um espaço metafísico e alternativo”.
    Ao fazer isto, o olhar sensível da artista escolhe de entre a vasta multiplicidade de linha e cores existentes, unicamente aqueles motivos orientadores que a atraem pela sua novidade e lhe suscitam vagas e excitantes associações.
    A cor densa da têmpera, enquanto material que veicula a cor, parece emanar, algures de dentro, abrindo caminho através da superfície abstracta da tela branca e exigindo uma estética das relações cromáticas completamente diferentes, provocando na artista, audaciosas improvisações e fortes impulsos no seu trabalho de concentração, frente ao cavalete no seu atelier, fazendo-a elaborar obras autónomas de grande expressividade e forte intensidade criadora.
    O mundo da cor vai assim ganhando forma, coincidindo com o
    universo artístico de Teresa Mendonça. Nele as formas do micro e do macro-mundo flúem incessantemente em conjunto e coexistem com os elementos de diferentes dimensões, volumes e planos, nas mais diversas configurações.
    Uma tal composição capta inevitavelmente uma parte acidental do infinito.
    De um modo semelhante a uma membrana celular, os seus trabalhos permitem-lhe levar a cabo, uma espécie de troca energética com o mundo externo.
    Todas as obras deste seu ciclo, são variações do mesmo motivo paisagístico.
    O cenário de tal tarefa está ligado a uma tentativa de encontrar todas as soluções possíveis para pintar uma única ideia textual através do enriquecimento da gama de associações com ecos do passado e do presente.
    Nestes seus quadros o elemento de abstracção é claramente intensificado.
    Teresa Mendonça, alcança os mais variados e inesperados efeitos utilizando um arsenal de meios pictóricos.
    Por vezes a artista domina a massa de cores; outras vezes, é ela quem se submete à sua fúria tempestuosa.
    A multiplicidade dos modos como Teresa Mendonça concebe os seus quadros, oferece-nos o testemunho da luta da artista com a tela.
    Uma reincarnação mágica, parece ter lugar mesmo perante os olhos dos espectadores.
    É desta capacidade de sofrer fantásticas transformações, que a massa de cores está dotada, na sua subordinação à vontade duma criadora que se chama Teresa Mendonça e cujas obras são particularmente atraentes e inimitáveis.

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